sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Ibope: eleitor de Dilma mira consumo e o de Serra, saúde

Por AE, estadao.com.br, Atualizado: 22/10/2010 11:03
 
A maioria do eleitorado acredita que Dilma Rousseff (PT) é a candidata à Presidência com mais atributos para beneficiar a população pobre e manter o crescimento do poder de compra dos brasileiros. José Serra (PSDB), por sua vez, tem a imagem mais relacionada à área da saúde pública. As informações constam da última pesquisa Ibope/Estado/TV Globo. O instituto perguntou a 3.010 eleitores qual dos dois presidenciáveis teria a melhor atuação em relação a oito tópicos, como segurança, educação e meio ambiente.
Dilma, que na mesma pesquisa lidera nas intenções de voto por 51% a 40%, também está na frente em todos os tópicos avaliados, com exceção da saúde, item no qual há um empate com o tucano. Para 55% dos eleitores, a candidata do PT é a que mais dará atenção à população pobre caso conquiste a Presidência. Outros 32% dizem o mesmo em relação a Serra.
A vantagem de Dilma nesse quesito diminui conforme aumenta a renda dos entrevistados - ou seja, os mais pobres são os que têm maiores expectativas de que a candidata os beneficie. Entre os que têm renda familiar de até um salário mínimo, 61% afirmam que a petista dará mais atenção aos pobres. Já entre os que ganham mais de cinco mínimos, esse índice é de apenas 47%.
A candidata do PT também é apontada pela maioria dos entrevistados (51%) como a mais preparada para 'manter a economia forte e o crescimento do poder de compra da população'. Nesse caso, novamente a vantagem de Dilma é maior entre os mais pobres, com renda de até um salário mínimo (59% a 29%). Na faixa de renda acima de cinco mínimos, porém, é Serra o visto como mais preparado para gerir a economia (48% a 40%).
Corrupção
Dilma - cuja sucessora na Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Erenice Guerra, está sob investigação por suposto envolvimento em esquema de tráfico de influência - também é vista como mais preparada para combater a corrupção no País (46% a 36%). Serra só lidera nesse quesito entre os mais escolarizados (45% a 38%) e os que têm renda acima de cinco salários mínimos (50% a 33%). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Religiosos atacam Serra e Igreja em ato pró-Dilma

Pd. Júlio Lancelotti e Frei Beto participaram de encontro em SP para apoiar candidata do PT

20 de outubro de 2010 | 8h 42
 
Malu Delgado, de O Estado de S.Paulo
SÃO PAULO - A crítica ao uso do discurso religioso na disputa presidencial marcou o ato de apoio de juristas e intelectuais à presidenciável Dilma Rousseff (PT) na terça-feira, 19,  em São Paulo, no teatro da Pontifícia Universidade Católica (Tuca). Os líderes religiosos padre Júlio Lancelotti e Frei Beto - ex-assessor especial da Presidência da República - empolgaram a plateia, composta basicamente por estudantes e políticos, ao repreender segmentos da Igreja Católica e o adversário da petista, José Serra (PSDB), por estimularem debate sobre o aborto e união civil homossexual na campanha.
A senadora eleita Marta Suplicy (PT), sexóloga, afirmou que a campanha transformou o Brasil num "País de aiatolás". Já o candidato petista derrotado ao governo de São Paulo Aloizio Mercadante acusou Serra de estar em torno "de resquícios da monarquia, do integralismo, e da juventude nazista".
"A igreja não tem tutela da consciência do povo. O povo deve ter liberdade de consciência. A igreja deve estar onde o povo está e a missão da igreja é lavar os pés dos pobres e não dominar a consciência política deles", afirmou, aplaudido de pé, padre Júlio, que desenvolve um trabalho social com moradores de rua. Ele disse ainda que José Serra "é o pai do higienismo em São Paulo, uma pessoa que não tem visão de que quem está rua também é cidadão".
Ex-assessor do presidente Lula, Frei Beto lamentou o fato de "aborto e religião" terem sido temas de destaque na campanha presidencial. "Lei de aborto não impede o aborto. O que impede aborto é política social, é salário, é o Bolsa Família, é distribuição de renda. Temos que deixar claro isso nos poucos dias que faltam. As mulheres as vezes rejeitam os filhos porque não tem condições de assumi-los." Afirmou, ainda, que "bispos panfletários não falam nem em nome da igreja nem em nome da CNBB". "É opinião pessoal, só que é injuriosa, mentirosa e difamatória", criticou.
Mercadante, que está à frente da campanha de Dilma em São Paulo no segundo turno, disse que "igreja alguma pode tutelar a democracia e a consciência do povo, muito menos setores pouco representativos".
Dilma Rousseff gravou uma mensagem por vídeo que foi exibida ao final do evento. A petista foi representada pelo candidato a vice na coligação, Michel Temer (PMDB). O peemedebista fez elogios a Lula para defender a eleição de Dilma. "O governo Lula fez a justiça social. Juntamos democracia política com justiça social, Dilma é a fusão dessas concepções e dessas ideias."
Dilma lembrou que o teatro da PUC foi palco da resistência na ditadura. A candidata fez um compromisso com o aprimoramento e aprofundamento das políticas sociais do governo Lula. Nosso governo continuará sendo conduzido de forma republicana. "Não só pelo respeito e a ordem, mas pela consolidação de direitos e liberdades de todos os brasileiros."
Juristas leram o manifesto de apoio à candidata. Também foi exibido um vídeo de Celso Antonio Bandeira de Mello, que assina o manifesto. No texto, acadêmicos e professores de Direito elogiam o atual governo e enfatizam que o "governo preservou as instituições democráticas" "e não tentou alterar casuisticamente a constituição para buscar um novo mandato". O ex-ministro Marcio Thomaz Bastos também estava presente e discursou em defesa da eleição de Dilma.

Quem é Paulo Preto


Levada à campanha por Dilma Rousseff, a história do ex-diretor da Dersa causa constrangimento no tucanato e gera versões desencontradas de Serra. Por Cynara Menezes. Foto: Rodrigo Capote/Folhapress
Na noite do domingo 10, ao fim do primeiro bloco do debate da TV Bandeirantes, o mais acalorado da campanha presidencial até agora, cobrada pelo adversário tucano José Serra sobre as denúncias contra a ex-ministra Erenice Guerra, a petista Dilma Rousseff revidou: “Fico indignada com a questão da Erenice. Agora, acho que você também deveria responder sobre Paulo Vieira de Souza, seu assessor, que fugiu com 4 milhões de reais de sua campanha”. Serra nada disse – ou “tergiversou”, como acusou a adversária durante todo o encontro televisivo –, e o País inteiro ficou à espera de uma resposta: quem é Paulo Vieira de Souza?
Numa eleição em que o jornalismo dito investigativo só atuou contra a candidata do governo, Dilma Rousseff serviu como “pauteira” para a imprensa. O pauteiro é quem indica quais reportagens devem ser feitas – e, se não fosse por causa de Dilma, Vieira de Souza nunca chegaria ao noticiário. Nos dias seguintes ao debate, finalmente jornais e tevês se preocuparam em escarafunchar, mesmo sem o ímpeto habitual quando se trata de denúncias a atingir a candidatura governista, um escândalo que envolvia o tucanato. A acusação contra Vieira de Souza, vulgo “Paulo Preto” ou “Negão”, apareceu pela primeira vez em agosto, na revista IstoÉ.
No texto, que obviamente teve pouquíssima repercussão na época, o engenheiro Paulo Preto era apontado como arrecadador do PSDB e acusado pelos próprios tucanos de sumir com dinheiro da campanha. “Como se trata de dinheiro sem origem declarada, o partido não tem sequer como mover um processo judicial”, dizia a reportagem, segundo a qual o engenheiro possuía relações estreitas com as empreiteiras Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, OAS, Mendes Júnior, Carioca e Engevix.
Após a citação feita por Dilma, os jornalistas cuidaram de cercar Serra para tentar extrair a resposta que ele não deu no debate. De saída, o candidato disse não conhecê-lo. “Eu não sei quem é o Paulo Preto. Nunca ouvi falar. Ele foi um factoide criado para que vocês fiquem perguntando”, declarou, na segunda-feira 11.
No dia seguinte, ameaças veladas feitas pelo ex-arrecadador em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo foram capazes de refrescar a memória de Serra. “Não somos amigos, mas ele me conhece muito bem. Até por uma questão de satisfação ao País, ele tem de responder. Não tem atitude minha que não tenha sido informada a ele”, disse Paulo Preto. “Não se larga um líder ferido na estrada em troca de nada. Não cometam esse erro.”
A partir da insinuação de que o já apelidado “homem-bomba do tucanato” possui fartos segredos a revelar, Serra não só se lembrou do desconhecido como o defendeu e o elogiou. “A acusação contra ele é injusta. Não houve desvio de dinheiro de campanha por parte de ninguém, nem do Paulo Souza”, afirmou o tucano, fazendo questão de dizer que o apelido “Preto” é preconceituoso. “Ele é considerado uma pessoa muito competente e ganhou até o prêmio de Engenheiro do Ano (em 2009). Nunca recebi nenhuma acusação a respeito dele durante sua atuação no governo.”
O último cargo público do engenheiro em governos do PSDB foi como diretor de engenharia da empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), cargo do qual foi demitido em abril, poucos dias após Serra se lançar à Presidência. Mas sua folha de serviços prestados ao PSDB é extensa. Há 11 anos ocupava cargos de confiança em governos tucanos e era diretor da Dersa desde 2005, primeiro nas Relações Institucionais e depois na engenharia, nomeado por Serra. Trabalhou no Palácio do Planalto durante os quatro anos do segundo governo Fernando Henrique Cardoso como assessor especial da Presidência, no programa Brasil Empreendedor Rural. Em São Paulo, foi responsável pela medição de obras e pagamentos a empreiteiras contratadas para construir o trecho sul do Rodoanel, que custou 5 bilhões de reais, a expansão da avenida Jacu-Pêssego e a reforma na Marginal do Tietê, estimada em 1,5 bilhão.
Quem levou Vieira de Souza para o Planalto foi Aloysio Nunes Ferreira, recém-eleito senador pelo PSDB, de quem Paulo Preto se diz amigo há mais de 20 anos. Ferreira dispensa apresentações. Em 3 de outubro foi o candidato ao Senado mais votado do Brasil, depois de ter sido chefe da Casa Civil no governo paulista.
De acordo com a IstoÉ, familiares de Vieira de Souza chegaram a emprestar 300 mil reais para Ferreira, quantia -assumidamente utilizada pelo novo senador para quitar o pagamento do apartamento onde vive, em Higienópolis. O engenheiro mantém, aliás, um padrão de vida elevado, muito acima de quem passou boa parte da carreira em cargos públicos. É dono de um apartamento na Vila Nova Conceição em um edifício duplex com dez vagas na garagem, sauna privê e habitado por banqueiros e socialites. Pela média de preços da região, um apartamento no prédio não custa menos de 9 milhões de reais.
Vieira de Souza foi demitido da Dersa oito dias após aparecer ao lado de tucanos graduados na festa de inauguração do Rodoanel e atribuiu sua saída a diferenças de estilo com o novo governador, Alberto Gold-man, que assumiu na qualidade de vice.
Goldman parecia, de fato, incomodado com a desenvoltura, para dizer o mínimo, de Paulo Preto no governo, e deixou esse descontentamento claro em um e-mail enviado a Serra, em novembro do ano passado, no qual acusava o então diretor da Dersa de ser “vaidoso” e “arrogante”, como revelou a Folha de S.Paulo. “Parece que ninguém consegue controlá-lo. Julga-se o Super-Homem”, escreveu o atual governador na mensagem ao antecessor, também encaminhada ao secretário estadual de Transportes, Mauro Arce. Mas Paulo Preto só deixou o governo quando Serra saiu.
Dois meses após sua exoneração, em junho, Vieira de Souza seria preso em São Paulo, acusado de receptação de joia roubada. O ex-diretor da Dersa alega ter comprado de um desconhecido um bracelete de brilhantes da marca Gucci por 18 mil reais. Ao levar a joia a uma loja do Shopping Iguatemi para avaliar se era verdadeira, foi preso em flagrante, após ser constatado pelo gerente que o objeto havia sido furtado ali mesmo no mês anterior. Solto no dia seguinte, passou a responder à acusação em liberdade. Hoje, ele atribui o imbróglio a “uma armação”.
Seu nome aparece ainda na investigação feita pela Polícia Federal que resultou na Operação Castelo de Areia. Na ação, -executivos da construtora Camargo Corrêa são acusados de comandar um esquema de propinas em obras públicas. A empresa nega. No relatório da PF há várias referências ao trecho sul do Rodoanel, responsabilidade de Paulo Preto, que teria recebido quatro pagamentos mensais de 416 mil reais da empreiteira. Vieira de Souza também nega. “A mim nunca ninguém entregou absolutamente nada. O lote da Camargo Corrêa na obra era de 700 milhões de reais e a obra foi entregue no prazo, só com 6,52% de acréscimo. É o menor aditivo que já houve em obra pública no Brasil.”
À revista Época, que publicou uma pequena reportagem sobre o caso em maio, Ferreira reconheceu a amizade antiga com Paulo Preto, mas negou ter recebido doações ilegais da construtora. Afirmou ainda que o Rodoanel foi aprovado pelos órgãos fiscalizadores. “O Rodoanel teve apenas um aditivo de 5% de seu valor total, um recorde para os padrões do Brasil”, disse o senador eleito. Atualmente, a operação Castelo de Areia encontra-se paralisada em virtude de uma liminar deferida pelo ministro Cesar Asfor Rocha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), até que seja julgado o pedido da defesa da Camargo Corrêa, que reclama de irregularidades na investigação.
O vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, que teria servido de fonte para a reportagem da IstoÉ, deu entrevista nos últimos dias na qual nega ter afirmado que Paulo Preto arrecadara, por conta própria, “no mínimo” 4 milhões de reais – o próprio engenheiro diz que esse número foi subestimado. Segundo Eduardo Jorge, não existe nenhum esquema de “arrecadação paralela”, o famoso caixa 2, entre os tucanos. Paulo Preto processa EJ, o tesoureiro-adjunto Evandro Losacco e o deputado federal reeleito José Aníbal, chamados por ele de “aloprados” por tê-lo denunciado à revista. Curiosamente, na entrevista à imprensa, Eduardo Jorge faz mistério sobre os nomes dos reais arrecadadores da campanha tucana, a quem chama de “fulano” e “sicrano”.
Na quinta-feira 14, a bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo entrou com uma representação no Ministério Público Estadual. Solicita uma investigação contra o ex-diretor da Dersa por improbidade administrativa. Além da acusação sobre os 4 milhões de reais arrecadados irregularmente para a campanha tucana, os parlamentares petistas acusam a filha de Paulo Preto, a advogada Priscila Arana de Souza, de tráfico de influência, por representar as empreiteiras que tinham negócios com a empresa pública desde 2006, quando o pai era responsável pelo acompanhamento e fiscalização das principais obras viárias do governo paulista, como o Rodoanel e a Nova Marginal, vitrines da campanha tucana na corrida presidencial.
Documentos do Tribunal de Contas da União revelam que Priscila Souza era uma das advogadas das empreiteiras no processo que analisou as contas da construção do trecho sul do Rodoanel. Ao contrário do que disse o ex-chefe da Casa Civil de Serra, uma auditoria da empresa Fiscobras apontou diversas irregularidades na obra, entre elas um superfaturamento de 32 milhões de reais em relação ao contrato inicial, despesa que teria sido repassada ao Ministério dos Transportes, parceiro no projeto. A filha do engenheiro aparece ainda em uma procuração, datada de maio de 2009, na qual os responsáveis da construtora Andrade Gutierrez autorizam os advogados do escritório Edgard Leite Advogados Associados a representarem a empresa em demandas judiciais.
“Já havíamos encaminhado ao MP uma representação, em maio, pedindo investigação sobre a suposta arrecadação ilegal de dinheiro para a campanha tucana, com base nas denúncias da IstoÉ. Conversei com o procurador-geral, Fernando Grella, e ele me garantiu que a investigação foi aberta, mas corre em sigilo de Justiça, por ter sido anexada aos autos da Operação Castelo de Areia, que está suspensa”, disse o deputado estadual do PT Antonio Mentor.
Para o presidente estadual do PT, Edinho Silva, há indícios suficientes de uma relação “pouco lícita” entre o ex-diretor da Dersa e as construtoras. “Como pode a filha representar as mesmas empresas que são fiscalizadas pelo pai? O poder público não pode se relacionar dessa forma com a iniciativa privada”, afirmou Silva, recém-eleito deputado estadual. “Além disso, é preciso apurar essa história do dinheiro arrecadado ilegalmente pelo engenheiro. Quem denunciou isso não foi a gente, foi o PSDB, que não viu a cor do dinheiro e reclamou à imprensa.”
Por meio de nota, o escritório de -advocacia classificou de “inconsistentes e maldosas” as acusações do PT. “A advogada Priscila Arana de Souza ingressou no escritório em 1º de junho de 2006. O escritório presta, há mais de dez anos, serviços jurídicos a praticamente todas as empresas privadas que compõem os consórcios contratados para a execução do trecho sul do Rodoanel de São Paulo”, registra o texto.
Procurado por CartaCapital, Paulo Preto não foi encontrado. Seus assessores informaram, na quinta-feira 14, que o engenheiro estava viajando. Na entrevista que deu à Folha, o engenheiro insinuou que sua função era a de facilitar as doações de empresas privadas com contratos com o governo de São Paulo ao PSDB. “Ninguém nesse governo deu condições de as empresas apoiarem (sic) mais recursos politicamente do que eu”, disse. Isso porque, sustentou, cumpriu todos os prazos e pagamentos acertados com as empreiteiras nas obras sob seu comando.
Nos últimos dias, Serra tem se mostrado irritado com as perguntas de jornalistas sobre o tucano honorário Paulo Preto. Em Porto Alegre, na quarta-feira 13, chegou a acusar o jornal Valor Econômico de atuar em favor da campanha de Dilma Rousseff. Perguntado por um repórter do diário, o presidenciável disse que o veículo, pertencente aos grupos Folha e Globo, “faz manchete para o PT colocar no horário eleitoral gratuito”, evidenciando como se incomoda de provar do próprio remédio. O destempero deu-se minutos depois de o candidato declarar seu apreço pela liberdade de imprensa. Além do mais, a reclamação é estranha: as manchetes de jornais e capas de revistas com críticas e denúncias contra Dilma Rousseff são matéria-prima do programa eleitoral do PSDB.
No domingo 17, Dilma e Serra voltam a se enfrentar no debate promovido pela Rede TV! Ninguém espera que se cumpra o vaticínio frustrado de “paz e amor” dado pelos jornais antes do primeiro confronto. A petista vai, ao que tudo indica, continuar a questionar Serra sobre as privatizações do governo Fernando Henrique e insistirá na comparação dos feitos do governo Lula com aqueles de seu antecessor. Segundo a pesquisa CNT-Sensus divulgada na quinta 14, os entrevistados consideraram Dilma Rousseff a vencedora do debate na Band.
Durante o debate, Serra nem sequer defendeu a própria mulher, Mônica, apontada por Dilma como uma das líderes de uma campanha difamatória de cunho religioso contra o PT, ao declarar a um evangélico no Rio de Janeiro que a candidata governista “gosta de matar criancinhas”. O fez depois, em seu programa eleitoral, ao tentar assumir o papel de vítima (segundo ele, a adversária tinha partido para a baixaria e atacado até a sua família).
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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Eleições - Dilma: "Brasil vai ampliar produção e acesso a bens culturais" | Portal de Noticias de São Sebastião, Ilhabela

Eleições - Dilma: "Brasil vai ampliar produção e acesso a bens culturais" Portal de Noticias de São Sebastião, Ilhabela

Depois da violência, assédio e esquecimento

'Não deixa cair no esquecimento, não, tá?', pede o administrador Rafael Cestari, tio do garoto morto há dez dias em uma sala de aula da Escola Adventista de Embu das Artes, na Grande São Paulo. Miguel Ricci dos Santos tinha 9 anos, cursava a 4.ª série e morreu após ser atingido por uma bala de revólver calibre 38. Segundo a polícia, a mochila do coleguinha suspeito de portar a arma foi lavada - o que aumenta a desconfiança.
O caso apareceu na primeira página de todos os jornais, os pais de Miguel foram a programas vespertinos de TV e receberam manifestações de solidariedade do público nas ruas. Roberta, a mãe do menino, conta que o advogado deles foi arrumado pela produção de um dos programas. 'Entendo que as pessoas queiram nos confortar, mas às vezes você precisa ficar na sua e vem gente na padaria te abraçar, chorar, dizer palavras bonitas', diz o pai de Miguel, o assistente administrativo Dennys Winston Ricci dos Santos, de 29 anos.
O assédio momentâneo não é garantia de 'não esquecimento' nem, como espera o tio do garoto, de que a justiça será feita.
A história recente tem mostrado que os holofotes logo se apagam, o que significa que, muito provavelmente, em breve Dennys Winston se verá livre das promessas de políticos graúdos, voluntários desconhecidos e oportunistas. 'Ih, conheço bem esse filme', diz a estudante Priscila Aprígio da Silva, que em 2007 ficou paraplégica depois de ser atingida por uma bala perdida num assalto a banco em Moema. A repercussão fez com que recebesse visita no Hospital Alvorada até do governador José Serra. Aparecia gente oferecendo emprego, docinho, carro. 'Aproveitei para pedir tudo o que queria. Fui até batizada pelo pessoal do São Paulo (Futebol Clube)', conta Priscila, que está grávida de nove meses.
Passados três anos, ela se diz esquecida. Conta que precisou procurar a produção de um programa de TV - o mesmo que arrumou o advogado para a mãe do menino Miguel - para que arranjassem um médico que fizesse seu parto. Eles arrumaram. E a médica também apareceu no programa.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Na estreia, Serra vai destacar ''valorização da vida'' e citar FHC


Por Ana Paula Scinocca e Julia Duailibi, estadao.com.br, Atualizado: 8/10/2010 2:22
Na estreia, Serra vai destacar ''valorização da vida'' e citar FHC
No momento em que a polêmica a respeito do aborto domina o debate eleitoral e desgasta a candidatura do PT, o programa de TV do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, vai destacar 'a valorização da vida' na estreia do horário eleitoral gratuito hoje. Também está prevista a exibição de uma imagem do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - a aparição do tucano neste programa ainda dependia, na noite de ontem, da edição final da peça.
O programa de estreia, que foi gravado entre terça-feira e ontem, em São Paulo, não abordará a questão do aborto diretamente. Mencionará o tema apenas no contexto da importância de preservar a vida, numa referência indireta às supostas posições da candidata Dilma Rousseff em favor do assunto.
Numa tentativa de exibir força do candidato e de minimizar as acusações de que Serra estaria isolado politicamente, o programa também vai mostrar gravações com apoio de políticos aliados. Estava também prevista a aparição do senador eleito por Minas Gerais, o ex-governador Aécio Neves, que recebeu mais de 7,5 milhões de votos no Estado.
Na primeira etapa da campanha presidencial, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não apareceu nos programas de TV nem participou de atos da campanha de Serra.
A defesa de parte do seu legado foi feita pelo presidenciável tucano anteontem, no primeiro ato de campanha do segundo turno, em Brasília. Em evento para plateia tucana, Serra ficou à vontade para defender as privatizações conduzidas por Fernando Henrique.
O PT já deixou claro que vai utilizar o tema das privatizações para atacar a campanha tucana. Também vai aumentar a comparação entre os oito anos de gestão de Lula e o governo Fernando Henrique.
A avaliação do comando do PSDB é que, em razão disso, não se pode negligenciar a defesa da gestão do ex-presidente. Isso não significa que Fernando Henrique será o garoto-propaganda da campanha de Serra. Será mais um uso preventivo do que uma ferramenta de marketing propriamente dita.
O programa vai ainda adotar parte do receituário usado durante o horário eleitoral gratuito do primeiro turno. Haverá, mais uma vez, apresentação da biografia do candidato e a exibição de propostas-chave do tucano - Serra ainda não tornou público seu programa de governo e tem apostado na televisão como forma de divulgar suas propostas principais.
Novo cenário. Com clipe e cenário novo, o primeiro programa do presidenciável tucano no segundo turno também vai mostrar em pequena peça, com cerca de 15 segundos, a comparação da trajetória de José Serra com a de Dilma Rousseff.
O programa vai ainda explorar muitas imagens do candidato do PSDB falando diretamente com o telespectador.
Integrantes da equipe de marketing do partido afirmam que o programa está com um visual mais parecido com as peças exibidas nos últimos dias da campanha.
Na época, a equipe de comunicação apostou em filmes que vendiam a ideia de um Brasil grande, em peças otimistas quanto ao futuro do País.